Para dar início às atividades da Campanha Nacional da Anadep (Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos) no Paraná, sob o tema “Em defesa delas: Defensoras e Defensores Públicos pela garantia dos direitos das mulheres”, a Adepar (Associação dos Defensores Públicos do Paraná) e o Nudem (Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher) realizaram hoje, dia 24 de maio, em Curitiba, dois eventos.

Palestras no Palácio das Araucárias

O primeiro evento foram palestras que aconteceram no Palácio das Araucárias e debateram a violência obstétrica e os direitos sexuais e reprodutivos. Abordaram os assuntos a socióloga Lígia Cardieri e a professora adjunta da Faculdade de Direito da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Taysa Schiocchet.

“O evento de hoje é um espaço que reúne profissionais de diversas áreas, que são multiplicadores de alta qualidade de informações. Os direitos abordados aqui hoje não são uma questão de saúde positiva, um medicamento que resolve a situação, são eventos sociais complexos e que só podem ser enfrentados com a troca de conhecimentos”, explicou Lígia, que ministrou a palestra “Direitos sexuais e reprodutivos, a norma e a vida das mulheres”.

A socióloga Lígia Cardieri

Para a professora Taysa, que palestrou sobre os “Direitos sexuais reprodutivos – aspectos jurídicos”, o evento permitiu a reflexão sobre as formas de efetivação das leis que abordam, de alguma maneira, a violência obstétrica.

Muitas pessoas desconhecem, por exemplo, que a violência obstétrica vai desde o assédio verbal, psicológico, físico e sexual a procedimentos desnecessários realizados durante o parto. Um exemplo deste tipo de violência é a realização de um corte no períneo, musculatura entre a vagina e ânus, para agilizar e facilitar a saída do bebê. Esse procedimento é chamado de episiotomia.

“Um ponto positivo no Paraná é que o estado possui legislação sobre o assunto abordado hoje, uma vez que outras regiões não possuem, mas ainda há necessidade de dar continuidade a essas leis e de fato concretizá-las. O principal ganho do evento é que já saímos daqui pensando nos próximos passos e articulações para uma regulamentação mais consistente”, ressaltou Taysa.

A professora adjunta da Faculdade de Direito da UFPR, Taysa Schiocchet

“Os direitos sexuais e reprodutivos e a questão da violência obstétrica são pautas muitas vezes negligenciadas quando falamos de violência contra a mulher. Hoje tivemos a oportunidade de refletir sobre como enfrentar esses problemas e sobre como efetivar de fato para a população essas garantias já previstas em lei como, por exemplo, a distribuição gratuita de camisinhas e anticoncepcionais”, acrescentou a Defensora Patrícia Mendes.

Representou a Adepar no evento o diretor Tiago Bertão. O Defensor Público-Geral, Eduardo Abraão, a Defensora auxiliar do Nudem, Patrícia Mendes, e o deputado estadual Jorge Gomes de Oliveira Brand (PDT) também estiveram presentes.

“Foi um momento de muito aprendizado. Palestras como as de hoje, em que acontecem trocas de conhecimentos enriquecedoras entre os profissionais, estimulam o debate e nos fazem pensar em novas formas de atuação na Defensoria Pública para promover cada vez mais os direitos das mulheres”, pontuou Tiago.

Exposição fotográfica na sede central da Defensoria

Dando sequência aos eventos de lançamento da Campanha Nacional, foi inaugurada hoje também a exposição fotográfica “Mulheres atingidas: da lama à luta”, na sede central da Defensoria Pública do Paraná, em Curitiba. As fotos retratam mulheres atingidas pelo rompimento das barragens nas cidades de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais.

A curadora da exposição e Defensora do Espírito Santo, Mariana Sobral, participou do evento contando um pouco das histórias das mulheres fotografadas e falando sobre a relevância de registrar esse momento.

“A exposição tenta tirar da invisibilidade o sofrimento e aproximar outras regiões dos problemas que essas mulheres estão vivendo. É difícil para quem está em outro Estado ter a noção da real complexidade do que elas têm passado. Por isso, a grande importância da exposição”, afirmou Mariana.

A curadora da exposição e Defensora do Espírito Santo, Mariana Sobral

“A relevância da exposição no evento de lançamento da Campanha Nacional é de dar visibilidade para os direitos das mulheres que precisam do apoio da Defensoria Pública para que possamos cumprir nosso papel institucional de promoção de direitos”, completou o Defensor Público-Geral, Eduardo Abraão.

A exposição é aberta ao público, gratuita e estará disponível até o dia 30 de maio, das 12h às 17h. A sede central da DPPR fica na rua José Bonifácio, 66, Centro, em Curitiba.

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