A estagiária de graduação da DPE-PR (Defensoria Pública do Paraná) Gabriela Saciloto Cramer ganhou, no dia 22 de outubro, o primeiro lugar no prêmio Pesquisa Chamex, promovido pela PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), com a pesquisa “A diferença de gênero na prisão domiciliar com monitoramento eletrônico”.

Segundo Gabriela, a iniciativa da pesquisa surgiu em conjunto com a defensora pública e coordenadora do núcleo de Execuções Penais, Andreza Lima de Menezes.

Ela conta que os estudos foram iniciados a partir de uma análise, das decisões e manifestações judiciais, que apontou para o fato de que o monitoramento eletrônico costuma ser mais duro e inflexível nos processos femininos do que nos processos masculinos para situações similares.

“Aos homens monitorados, via de regra, não são conferidas as tarefas domésticas e da paternidade por serem consideradas “atividades femininas”. Ocorre que ao serem retiradas tais responsabilidades do cotidiano, o cumprimento da pena com monitoramento se torna muito mais fácil com relação ao atendimento dos termos delimitados em juízo”, explica Gabriela.

“Assim, a ideia surgiu como forma de dar voz às mulheres monitoradas, que sofrem todos os dias com uma dupla penalização (em razão da conduta criminosa e em razão da “falha” em seu papel como mulheres) por parte das autoridades judiciárias e por seu círculo social e familiar, sem que haja quem possa lutar por suas causas”, acrescenta.

A estagiária de graduação da DPE-PR Gabriela Saciloto Cramer

Para a defensora Andreza, a premiação serve como incentivo para que a Defensoria Pública esteja cada vez mais próxima das instituições de ensino e do desenvolvimento de trabalhos acadêmicos.

“A pesquisa da Gabriela nasceu da experiência no setor de execução penal e é um excelente exemplo de como nosso trabalho pode dialogar com a pesquisa acadêmica quanto pode contribuir na formação de estudantes de diversos saberes. É um momento de celebração pela conquista dela, mas também uma oportunidade para que a Defensoria Pública busque tanto uma real valorização de seus estagiários quanto uma maior aproximação com as instituições de ensino”, pontua a defensora pública.

Para a professora da PUCPR e orientadora da pesquisa, Renata Ceschin Melfi de Macedo, o trabalho cumpre um papel importante tanto para a sociedade quanto para o ambiente acadêmico.

“A pesquisa acadêmica, além de agregar conhecimento (tanto ao orientado quanto ao orientador), desenvolve o pensamento crítico, desperta a vocação científica e o interesse pela docência, meio pelo qual é possível transmitir essa informação à comunidade. Justamente sob esse aspecto é que eu sou uma entusiasta do PIBIC: compartilhar o conhecimento, aplacar a ignorância (no sentido real da palavra), difundir ideias é o verdadeiro sentido da pesquisa”, ressalta Renata.

“A pesquisa da Gabriela se propôs – e efetivamente cumpriu esse mister – a realizar uma análise das questões de gênero intrínsecas ao cumprimento de pena fora das unidades penitenciárias, um universo que não está ao alcance de todos. A pesquisa desvenda um universo de desigualdades dentro de uma sociedade extremamente patriarcal e, como eu falei pra Gabriela, dá voz a quem está há muito calada; oportuniza visibilidade a quem é invisível”, acrescenta a professora.

O prêmio Pesquisa Chamex é realizado anualmente pela PUCPR. Ao todo, foram selecionadas 16 pesquisas na área de Ciências Sociais Aplicadas para serem apresentadas oralmente, de forma on-line.